Quando se fala em baixa autoestima, muita gente imagina alguém tímido, que se acha feio ou que vive pedindo desculpas. Em muitos homens, ela aparece de outro jeito: no excesso de trabalho, na irritação, no humor sarcástico, na dificuldade de pedir ajuda e na necessidade constante de provar valor.
Se você se reconheceu em alguma dessas frases, este texto é para você. Vamos entender de onde vem esse sentimento, por que imigrar pode intensificá-lo e o que ajuda a reconstruir a confiança em si.
O que é autoestima (e o que ela não é)
Autoestima é a avaliação que você faz do seu próprio valor: o quanto você se sente digno de respeito, de afeto e de ocupar espaço, com seus acertos e suas limitações. Ela não é arrogância, nem é o mesmo que parecer confiante.
Um homem pode parecer seguro e bem-sucedido e, ainda assim, sentir-se insuficiente por dentro. Autoconfiança é acreditar que você consegue fazer algo. Autoestima é sentir que você vale, mesmo quando não consegue.
Como a baixa autoestima costuma aparecer nos homens
Os sinais variam, mas alguns se repetem:
Irritação ou explosões de raiva por coisas pequenas.
Perfeccionismo e excesso de trabalho para provar valor.
Dificuldade em aceitar elogios ou pedir ajuda.
Comparação constante com colegas, amigos e redes sociais.
Isolamento e afastamento da família e dos amigos.
Humor ácido e autocrítica disfarçada de brincadeira.
Uso de álcool ou de distrações para não sentir.
Nem todo homem vive assim, e esses sinais também podem ter outras causas. Pense neles como pistas, e não como um diagnóstico.
As pressões que moldam a autoestima do homem
Desde cedo, muitos meninos aprendem que valor é sinônimo de força, desempenho e sustento. Frases como “homem não chora” e “resolve sozinho” ensinam a esconder dúvidas e a medir o próprio valor pelo que se conquista.
Quando a vida não acompanha esse roteiro, seja por desemprego, doença, erro ou separação, a vergonha surge. E a vergonha costuma ser escondida, o que a faz crescer em silêncio.
Quando imigrar abala o que você achava que sabia sobre si
Para quem vive o recomeço em outro país, essas pressões ganham reforço:
Perda de status profissional: o engenheiro que trabalha em obra, a gerente que recomeça como assistente, o diploma que não é reconhecido.
Idioma: pensar rápido em português e falar devagar em inglês faz com que muita gente se sinta menos inteligente do que realmente é.
Dinheiro e papéis em casa: renda apertada, a parceira trabalhando mais, a sensação de ter perdido o papel de provedor.
Distância: viver longe de quem te conhecia e reconhecia seu valor.
Nada disso diz quem você é. Diz em que fase da vida você está.
O crítico interno: aquela voz que nunca descansa
Pensamentos como “sou um fracasso”, “já deveria estar melhor” ou “todo mundo se deu bem, menos eu” parecem fatos, mas são interpretações. Na terapia, aprendemos a notar o pensamento, a perguntar que evidências existem a favor e contra ele e a reformulá-lo de um jeito mais justo, e não necessariamente mais positivo.
Por exemplo, trocar “sou um fracasso” por “estou passando por um recomeço difícil e tenho feito o que consigo” muda a forma como você se sente e o que decide fazer a seguir. Isso pode levar alguém a começar a ter sintomas associados à depressão, ansiedade e TDAH ou disfunção executiva ou síndrome disexecutiva.
Seis práticas para reconstruir a confiança
Separe valor de desempenho. Você vale mais do que seu cargo, sua renda ou seu status migratório.
Registre evidências. No fim do dia, anote três coisas que você fez, inclusive os pequenos esforços. O cérebro dá mais peso às falhas, e o registro equilibra a balança.
Fale consigo como falaria com um amigo. Se você não diria aquilo a alguém que respeita, por que diz a si mesmo?
Escolha metas pequenas e concretas. Vitórias pequenas e repetidas reconstroem a sensação de capacidade.
Cuide do corpo. Sono, movimento, alimentação e atenção ao consumo de álcool influenciam diretamente o humor e a autoimagem.
Reconecte-se. Um amigo, um grupo, um esporte, um trabalho voluntário. Estar entre pessoas que te conhecem pelo que você é protege a autoestima.
Quando procurar ajuda
Busque um profissional se, há mais de duas semanas, você sente tristeza ou vazio, perda de interesse, irritação que não passa, desesperança ou a ideia de que sua família estaria melhor sem você.
Se você estiver pensando em se machucar ou em tirar a própria vida, ligue ou envie uma mensagem de texto para o 9-8-8, disponível 24 horas por dia em todo o Canadá, ou ligue para o 9-1-1 em caso de risco imediato. Em BC, a linha de crise de saúde mental é o 310-6789, sem prefixo, disponível 24 horas por dia.
Como a terapia em português pode ajudar
Na terapia, você tem um espaço sem julgamento para entender de onde vem essa sensação de não ser suficiente, identificar os padrões que a sustentam e construir uma nova relação consigo mesmo. Fazer esse trabalho na sua língua materna ajuda a chegar mais perto do que você realmente sente.
O Fabricio Moreira, RCC, atende no Psychotherapy Room em português e inglês. Conheça o Fabricio e agende uma sessão.
Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação ou atendimento profissional.
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